domingo, 17 de fevereiro de 2013







ETERNA MELODIA

.
sóis, luas,
sós nas ruas
noite e dia
no tempo flutuam
atuam, perpetuam
a teimosa melodia
de escurecer e clarear.

Amélia de Morais.

.






Noite - Dia

Estou entre a lua e o sol
estou madrugadando
cantando , compondo
aos pés do arrebol

Estou entre o dormir e o acordar
estou pensando
querendo e sonhando
com o dia que vai chegar

Estou entre a lucidez e a escuridão
estou vagando
fugindo e voando
sobre o verso e a razão

Amélia de Morais

.






APOSTE
.
Pousa teu azul
sobre meu verde
deslize sobre os pólos
norte-sul, leste-oeste
habite os tons mais escuros
escusos, confusos, obscuros
Prove do néctar dourado
que todo meu corpo reveste.
Aposte, ateste.

Amélia de Morais

.





COM O PERDÃO DA PALAVRA

.
Perdão,
não sei quem sou
nem de onde vim
nem pra onde vou

Sei que vim no vento
soprado de um pensamento
mas é mistério meu ser

Perdão,
a palavra é tudo que tenho
não sei pra onde vou
não sei de onde venho.

Amélia de Morais

,





MUDANÇA

.
Acabou a solidão
a escuridão acabou
a chuva molha a terra
e não há lágrimas nesse verão

O livro está escrito
impresso e editado
Sem espaço para o não dito
sem leitura para o não falado

Findou o esquecimento
a lembrança retornou
o sol aquece o dia
e não há noite sem lua no firmamento

Cá dentro é festa nesse momento
Lá fora é vida em eterno movimento.

Amélia de Morais.


.










CHUVA DE METEOROS

.
As estrelas não caem
a noite é da mesma cor de ontem
olho, olho e nada vejo
será que me falta desejo?
Passo a mão no vidro
e apago as lembranças riscadas
rio, rio e nada sinto
será que o desejo é extinto?

Amélia de Morais

.







DEVANEIOS

.
Hora de fugir,
mentir, dormir...
e não acordar jamais.

Hora de fingir,
iludir, carpir...
e não admitir jamais.

Foi tudo sonho
triste, medonho
Devaneios na beira do cais.

Galanteios na beira do caos.

Amélia de Morais.

.