domingo, 17 de fevereiro de 2013


COM O PERDÃO DA PALAVRA

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Perdão,
não sei quem sou
nem de onde vim
nem pra onde vou

Sei que vim no vento
soprado de um pensamento
mas é mistério meu ser

Perdão,
a palavra é tudo que tenho
não sei pra onde vou
não sei de onde venho.

Amélia de Morais

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MUDANÇA

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Acabou a solidão
a escuridão acabou
a chuva molha a terra
e não há lágrimas nesse verão

O livro está escrito
impresso e editado
Sem espaço para o não dito
sem leitura para o não falado

Findou o esquecimento
a lembrança retornou
o sol aquece o dia
e não há noite sem lua no firmamento

Cá dentro é festa nesse momento
Lá fora é vida em eterno movimento.

Amélia de Morais.


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CHUVA DE METEOROS

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As estrelas não caem
a noite é da mesma cor de ontem
olho, olho e nada vejo
será que me falta desejo?
Passo a mão no vidro
e apago as lembranças riscadas
rio, rio e nada sinto
será que o desejo é extinto?

Amélia de Morais

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DEVANEIOS

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Hora de fugir,
mentir, dormir...
e não acordar jamais.

Hora de fingir,
iludir, carpir...
e não admitir jamais.

Foi tudo sonho
triste, medonho
Devaneios na beira do cais.

Galanteios na beira do caos.

Amélia de Morais.

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PESSOAS

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Bem me quer... Mal me quer... Bem me quer...
Olho o mundo com olhos de Pessoa
Dos tantos Fernandos, Albertos, Álvaros, Ricardos...
Sem pensá-lo, apenas amando-o,
Sem jamais saber como amo, por que amo...
Amo o mundo sem sequer imaginar
Se bem me quer... mal me quer... bem me quer...

Amélia de Morais

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013



PROMESSAS

Desde já
dispenso as mágoas
Choro
desaguando os rancores
Agora
desprezo as dores
Sorrio
alargando os horizontes
Então
sigo o caminho
Canto
abrindo as portas.

Amélia de Morais.

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(arthur bragisky)


CINCO OLHOS

São cinco
os olhos
que me acompanham.
São cinco
as cores
dos olhos.
São castanhos,
verdes,
pretos,
azuis
amarelos.
E no entanto,
me escondo
no branco de cada um
deixando-os cegos de mim,
atônitos, perdidos
no escuro de não me verem.

Amélia de Morais

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