quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
SIMPLES
Silêncio ensurdecedor
na música que ouço agora
entra em gotas pela boca
desce amargo na alma
mas é suave a poesia
que pousa no meu corpo
simplesmente
Amélia de Morais
.
Noites
As noites
são de movimento.
Faz frio,
faz calor.
Cobro-me,
descubro-me...
Descobre-se tantas coisas nas noites,
o coração se contrai,
o corpo se mexe,
os olhos se abrem
e a tristeza
escorre pelo rosto,
no escuro,
sem barulhos,
sem testemunhas.
Amélia de Morais
.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
MINHA CASA
Minha casa habita em mim
do lado de dentro de mim
do lado de fora de mim
habita, do começo ao fim
no lado escuro de mim
no lado mais claro de mim
habita, sem começo e sem fim
no espaço infinito de mim
Amélia de Morais.
.
AS FLORES
amanheceu eufórico:
o Girassol
roda como louco,
a Sempre-viva
não fecha os olhos,
o Amor-perfeito
está aos beijos,
O Narciso
não sai do espelho,
A Violeta
arroxeou-se,
A Mimosa
se derrama em mimos,
A Onze horas
ainda dorme,
A Maria-sem-vergonha
está toda exibida,
E o Cravo, coitado,
está tristinho,
brigou com a Rosa
e está ferido
no coração.
Amélia de Morais
.
ENTERRO
Tão triste
ver passar a vida
sem vida,
vestida de preto,
seguida por pessoas,
tristes,
que passam lentamente,
sem vidas,
vestidas de preto.
Amélia de Morais
.
FILME
De repente,
meus olhos acostumados
à visão do bem querer,
abriram-se
para a dor cruel
da realidade sem fim.
O que era belo
perdeu a cor,
perfume,
brilho.
Não é mais que um filme
em preto e branco,
sem roteiro,
sem direção,
sem final feliz.
Sem final feliz.
Amélia de Morais
.
domingo, 9 de dezembro de 2012
ABANDONO
É meu, seu abandono.
Me esquece do lado de fora,
de fora da vida,
de dentro da casa.
Minha vida tem dono.
Não é água rasa,
tem peso e medida,
tem rumo e tem hora.
É seu, meu abandono
Amélia de Morais
.
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