domingo, 25 de novembro de 2012


(lena sotskova)


MELODIA

Nos cantos da rua
nos campos da lua
nas lutas da vida
nas muitas saídas
nos prantos derramados
nos risos gargalhados
nos silêncios da noite
nas dores do açoite
nas danças das mãos
nas pausas dos nãos 
nos espaços do tempo
nos tremores do vento
nos medos do novo
nos gritos do povo
nas verdades do dia
nos mistérios da magia
em tudo há melodia

Amelia de Morais

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SINA

Morrer pra nascer de novo
pequeno, frágil, ingênuo
e recomeçar sem lembranças
e representar sem cobranças
e referendar a esperança
de morrer sem nascer de novo.

Amélia de Morais. 

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MEIO A MEIO

Sou meio doce
meio sal
meio essencial
meio precoce
Sou agridoce
e natural
Sou meio posse
meio edital
e tal e coisa e coisa e tal

Amélia de Morais

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SEM CHÃO

Estrelas no céu
Pássaros no ar
Vida no tempo
Não sei como tê-los na mão
Se faço um escarcéu...
Se vão me consolar...
Se é só um passatempo...

Não seria como roubar-lhes o chão?

Amélia de Morais

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012




CURA
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Ando comprando briga
cuspindo fogo pela venta
Ando vendendo a vida

Quero uma canção amiga
de verso doce e música lenta
Quero curar a ferida

Amélia de Morais.


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AQUI LÁ

Saí às ruas pra ver o sol
pra ver o dia, a lua, a noite
Saí pra me encontrar no Caribe
Saí pra me encher do ar que sopra por lá
Saí as ruas pra cantar
pra dançar, fazer sorrir o povo de lá
saí às ruas pra sambar maracatu
saí pra me espalhar
saí pra poder voltar.

Amélia de Morais

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DESCRENÇA

Não creio
na água que corre
não acredito
na lágrima que escorre 
não creio 
no gesto largo
não acredito
no beijo amargo
não creio 
no amor de castelo
não acredito
no sorriso amarelo
não creio
no corpo mudo
não acredito
no nada e no tudo.

Amélia de Morais

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