quarta-feira, 31 de outubro de 2012




AMIGO

Amigo é sol no inverno
amor antigo e eterno
olho no olho, mão na mão
amigo é muito mais que irmão

Amigo é ombro e ouvido
resposta em silêncio e ruído
gesto terno e sincero
amigo é tudo que sempre quero..

Amélia de Morais

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012




DANÇO, DANCEI...

Danço sobre as cinzas
Um dia dancei sobre as brasas.

Amélia de Morais.

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O SONHO ACABOU

Quebra o copo
raspa a panela
risca o nome
fecha a janela
encerra a conta
acenda a vela
acorda do sonho

Não há vida paralela

Amelia de Morais

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SEM EIRA, NEM BEIRA

Sem eira, nem beira
entreguei-me à solidão
entreguei-me à melancolia
à bebedeira
da água da chuva
à ilusão
de chover no molhado
à covardia
de viver sem calor
Sem eira, nem beira
nunca fui, eu, verdadeira

Amélia de Morais

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(linda-armstrong-joan_reading-)


POR ONDE ANDA A SAUDADE?

Um vento ressabiado
soprou no meu ouvido
um silêncio cansado
um grito escondido
Eu me enchi de tristeza
esvaziei o baú da felicidade
De onde vem essa frieza?
Por onde anda a saudade?
Que canto triste me invade
roubando meu doce sorriso?
Esquece essa mera verdade
me conta a outra metade
da história que mais preciso.

Amélia de Morais
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012



TRANSPARÊNCIA

Ver através de outros olhos,
ver coisas que só outros olhos veriam.
Olhar para o horizonte,
olhar para o mar
(e ver onde termina o mar e começa o horizonte).
Olhar a noite, o dia,
ver a lua, o sol.
Olhar as pedras, as cidades,
ver o mundo, enfim e reconhecê-lo,
sem nunca, antes, tê-lo visto.

É mais ou menos
como olhar a chuva pela vidraça
e no entanto, não estar
por trás da vidraça.

É mais ou menos
como se ver refletido num espelho
sem ter diante de si
espelho algum. 

Amélia de Morais

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PORQUE OS SINOS TOCAM

O que passou, passou
É sonho agora
Sombra fria que ficou
Do sol que foi embora
Voou entre risos cristalinos
Carregado entre nuvens brancas
Pelo mesmo vento que agora toca os sinos
Desta saudade bela e franca.

Amélia de Morais 

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