segunda-feira, 8 de outubro de 2012

(linda-armstrong-joan_reading-)


POR ONDE ANDA A SAUDADE?

Um vento ressabiado
soprou no meu ouvido
um silêncio cansado
um grito escondido
Eu me enchi de tristeza
esvaziei o baú da felicidade
De onde vem essa frieza?
Por onde anda a saudade?
Que canto triste me invade
roubando meu doce sorriso?
Esquece essa mera verdade
me conta a outra metade
da história que mais preciso.

Amélia de Morais
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012



TRANSPARÊNCIA

Ver através de outros olhos,
ver coisas que só outros olhos veriam.
Olhar para o horizonte,
olhar para o mar
(e ver onde termina o mar e começa o horizonte).
Olhar a noite, o dia,
ver a lua, o sol.
Olhar as pedras, as cidades,
ver o mundo, enfim e reconhecê-lo,
sem nunca, antes, tê-lo visto.

É mais ou menos
como olhar a chuva pela vidraça
e no entanto, não estar
por trás da vidraça.

É mais ou menos
como se ver refletido num espelho
sem ter diante de si
espelho algum. 

Amélia de Morais

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PORQUE OS SINOS TOCAM

O que passou, passou
É sonho agora
Sombra fria que ficou
Do sol que foi embora
Voou entre risos cristalinos
Carregado entre nuvens brancas
Pelo mesmo vento que agora toca os sinos
Desta saudade bela e franca.

Amélia de Morais 

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MESMISMO

O mesmo riso fácil
o mesmo olhar frágil
o mesmo andar malemolente
o mesmo gesto insistente

Não embarco nesse braço
não me prendo nesse abraço
Meu rumo é a vida
estou cada dia mais atrevida.

Amélia de Morais


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AMORES

Fitas, versos e flores
o presente na caixa
com papel de mil cores.

Amélia de Morais

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terça-feira, 4 de setembro de 2012





MEIA-IRMÃ

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Não pense tanto
pra que esse pranto?
Repare no brilho da lua
se exibindo bela e nua.
Não fale mais que demais
as palavras podem ser letais.
Escute o som do silêncio lento
cantando a canção do vento.
Não durma no ponto
encare o confronto.
Desperte na nova manhã
a sorte é só meia-irmã.

Amélia de Morais.

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TROVINHA

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Sou a leveza do ar
a beleza do voar
a incerteza de quem sou
quando no outono estou.

Amélia de Morais

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COITADA

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Quando a noite nasce
virada pra lua,
de estrelas, recheada,
morre de inveja,
toda nua
a escuridão, coitada!

Amélia de Morais

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PARTIMOS

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Partimo-nos,
eu de você
você de mim
e nem nos demos conta

Partimos-nos
sem quê, nem porquê
sem meio, sem fim
saudade que não estava pronta

Partimos-nos
sem despedidas
vontades despidas
dores dormidas

Partimos de volta pra vida.

Amélia de Morais

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VEREDITO

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Meu silêncio
ecoa em algum lugar
ressoa no infinito
mergulha fundo no mar
é minha última palavra - veredito

Amélia de Morais.

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(Mulher pintura POETICA RONO FIGUEIREDO)


CANTEMOS

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Vida bela, quente e vermelha
chamas de paixão e magia
que se apagam, se esgotam
e renascem das cinzas

Vida, canção e centelha
versos de amor e euforia
que se encontram, se alimentam
se consomem em saudades ranzinzas


Amélia de Morais

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BAILE

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Bailo
sobre o infinito
sobre o que está escrito
sobre tudo o que foi dito
e repito
E o som vem da batida coração
vem da palma da mão
vem do corpo em exaustão
e paixão
Bailo
sobre o inaudito
em explosão.

Amélia de Morais

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(Viuva_da_Kissama)

DE GRITOS E CALMA

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Eu grito
para espantar a tristeza
E choro
para lavar a alma
Que me importa a fortaleza
do sorriso?
Quero apenas a falsa fragilidade
da calma.

Amélia de Morais








PARTIDA

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...e parte o navio,
lágrimas na terra.

Sem chama, o pavio
se dobra e enterra
a voz, o riso, o fio...

E tudo é vazio.

Amélia de Morais


quarta-feira, 8 de agosto de 2012




ALÉM...

Entardece o tempo em mim.
A vida aos poucos me abandona,
me rouba o sol da manhã.
Esquece que sou minha dona,
sou dona do meu tempo
e do espaço pra além de mim.

Amélia de Morais


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