domingo, 29 de julho de 2012





POESIA MANCHADA

O mar arrebenta nas pedras
ecoa no meu peito o estrondo
lanço-me sobre o papel
e ao momento respondo

São emoções tantas
e tantas e tantas palavras
que brotam e ao medo suplanta
fazendo surgir os versos

E os olhos presos à mão
se abrem às lágrimas
e entregam às palavras  de aflição
no papel, 
a mancha de libertação.

Amélia de Morais

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LEITO DE VIÚVA

No vento
chora a chuva
que molha a seca terra
como um sorriso de alento
no leito de uma velha viúva
que aos poucos se desenterra

Amélia de Morais 

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sábado, 21 de julho de 2012




UM PEDAÇO 

no escuro da madrugada
no silêncio do segredo
na distância da estrada
na agonia do medo
na certeza do tempo
na dureza do chão
no sussurro do vento
no carinho da mão
na proteção do escudo
no cansaço da jornada
no nada do tudo
no tudo do nada

Da minha alma um pedaço

Amélia de Morais


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ENTRELINHAS 49

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Sob a chuva forte
corpo molhado, encolhido
abandonado à sorte
o homem chora escondido

Amélia de Morais.

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MOMENTOS
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É o vento que passa
arrancando de mim
arrepios

O vinho rubro na taça
as flores no jardim
vazio

E a noite que parte
deixando comigo
madrugada

No ar o estandarte
o pão e o castigo
jornada

E o tempo que grita
o silêncio futuro
no espaço

Nesta casa bendita
os olhos no escuro
estilhaço

Amélia de Morais

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ENTRELINHAS 50

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A alegria está disseminada
os homens passam cantando
as mulheres passam sorrindo
as crianças passam sonhando
e a fúria segue dormindo.

O mundo dança ciranda

Amélia de Morais

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DIA DE SOL


O sol radiante surgiu entre as nuvens
Gotas de amizade caíram em minh’alma
Palavras, canções e outros tantos bens
Fizeram-me enxergar, com calma
Além, muito, muito além dos homens!
Agora caminho, aberta, esperta, certa.

Amélia de Morais

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