sábado, 21 de julho de 2012
ENTRELINHAS 49
.
Sob a chuva forte
corpo molhado, encolhido
abandonado à sorte
o homem chora escondido
Amélia de Morais.
.
MOMENTOS
.
É o vento que passa
arrancando de mim
arrepios
O vinho rubro na taça
as flores no jardim
vazio
E a noite que parte
deixando comigo
madrugada
No ar o estandarte
o pão e o castigo
jornada
E o tempo que grita
o silêncio futuro
no espaço
Nesta casa bendita
os olhos no escuro
estilhaço
Amélia de Morais
.
ENTRELINHAS 50
.
A alegria está disseminada
os homens passam cantando
as mulheres passam sorrindo
as crianças passam sonhando
e a fúria segue dormindo.
O mundo dança ciranda
Amélia de Morais
.
DIA DE SOL
O sol radiante surgiu entre as nuvens
Gotas de amizade caíram em minh’alma
Palavras, canções e outros tantos bens
Fizeram-me enxergar, com calma
Além, muito, muito além dos homens!
Agora caminho, aberta, esperta, certa.
Amélia de Morais
.
MARÉS
Imerso em saudade
emerso da paixão
dourado de sol
iluminado pela lua
Enchente - fluxo
Vazante - refluxo
Dorme - passado
Acorda - presente
A vida segue sim
segue não - final.
Amélia de Morais
.
TRAMAS
Amarro o medo
e venço a dor
acordo cedo
tramo a meu favor
com linhas azuis
e fios invisíveis
faço jus
aos amores possíveis
Penduro a morte
e guardo o tempo
sigo rumo ao norte
ando contra o vento
nua e pura e só
louca, linda e viva
sou pouco, pó
sou tudo, diva
Amarro e penduro o destino
sou tanto e sempre desatino.
Amélia de Morais.
.
VERDADE E CONSELHO
Um recorte de mim
em minhas mãos
um pedaço de mim
refletido no espelho
resguardo o olhar
em devaneios vãos
delírio e sonhar
de olhos vermelhos
Nem sempre a verdade é conselho.
Amélia de Morais
.
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