quarta-feira, 4 de julho de 2012



PRA NÃO ESQUECER

Minha palavra
teu veneno
eu peno
eu choro
mas, antes te imploro
deixa tua mão
sobre a minha
...não te quero, não!
só não quero esquecer que estou sozinha


Amélia de Morais 

.




DIAS
.
Há dias de sol
há dias de chuva
há dias de sombra
há dias de seca
Há dias brilhantes
há dias opacos
há dias solidários
há dias solitários
Há dias de silêncio
há dias de música
há dias de alegria
há dias de melancolia
Há dias meus
há dias seus
há dias nossos 
há dias onde o nada habita
são os dias que não há.


Amélia de Morais

.


.





AOS TRANCOS E BARRANCOS

Aos trancos e barrancos,
caindo dos tamancos,
dormindo em duros bancos,
montado em cavalo manco,
o homem, fiel e franco
deixa aberto o flanco,
vira saltimbanco
de um só solavanco.

Amélia de Morais

.


sábado, 23 de junho de 2012


(Keith Mallet)

A VIDA
.
A vida tem escrito
Nos livros de cada um
As dores, os conflitos
Os amores em negrito
Os gestos, os veredictos
Os lugares favoritos

A vida tem guardado
Pras histórias de todos nós
Surpresas maravilhosas
Contos, poesias, prosas
Tentativas desastrosas
Dias ruidosos, noites silenciosas

A vida, estrada sem medida
Sem tempo, sem certeza
Às vezes rio sem correnteza
Às vezes mar de grande beleza
Por vezes rude, sem gentileza
Por vezes simples em singeleza
Nos entrega à morte, sem malvadeza
Girando assim, a roda da natureza.

Amélia de Morais

.





Amar, verbo solar

Amanheces
como ninguém jamais amanheceu,
às vezes docemente,
às vezes gulosamente,
mas sempre grande,
bonito,
gostoso.
Contornas todo o litoral,
sobes e desces pequenas colinas,
extensos montes,
como quem conhece o segredo
do mapa.
Fazes brilhar,
fazes colorir
toda a viagem
por um mundo fantástico,
povoado de tudo e nada,
através de um maluco trem.
No entanto,
ao entardecer
uma nuvem cobre seus raios
e a terra,
impaciente,
não espera pelo descobrir do brilho
e adormece. 

Amélia de Morais

.





HINO À VIDA

É estranho
dizer a si mesma
que morreu novamente.
É inquietante,
ainda assim,
ouvir as batidas do coração.
Molho os pés
e as mãos, me sinto viva.
Me sei morta,
hoje,
apenas. 

Amélia de Morais

.




O BRILHO QUE CAI
.
Estrela
voando no céu
pousando estrondosamente
nos olhos da Terra amada
fazendo brotar, ao léu
a noite na madrugada
vagarosamente

Amélia de Morais

.