Choro sobre as águas sujas sobre as queimadas no norte sobre o verde que enferruja sob o céu cinza da morte
Choro a tristeza do rio Choro a ausência do peixe a ruína do casario e a voz que não se queixe
Clamo aos deuses oniscientes e aos homens silenciosos que despertem os inconscientes que expulsem os perigosos
A Terra é o presente dos que ainda virão.
Amélia de Morais
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A MOÇA DE VERMELHO
Andou entre os pingos da chuva uma mancha vermelha sob o guarda-chuva solitária na cortina de água pensando nos passos que faltavam chorava o pranto da sua mágoa
Amélia de Morais
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DRUMONNIANDO
Amor, bicho danado que corre, pula, salta que gruda, coça, arde que some e faz falta que surge mais tarde abrindo ou fechando ferida entrando ou saindo da vida deixando na alma a cicatriz que às vezes é só lembrança mas nem sempre é feliz.
Amélia de Morais
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DO FIM AO INÍCIO . Amou desesperada e enormemente como quem dorme em dormentes sem medos, nem culpas sem planos ou desculpas Amou sincera e simplesmente como quem sonha somente sem limites, nem horizontes sem redes ou pontes Amou plena e vivamente como quem planta semente sem chuvas, nem benefícios sem renúncias ou sacrifícios Amou do fim até o início.
Amélia de Morais
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domingo, 3 de junho de 2012
VERDADE ABSOLUTA
. Ouça a mensagem Qualquer que seja Respire essa aragem Escute a alma benfazeja Não há pressa no acreditar Pense, repense, se ponha a cantar E acima de tudo, discuta Não há verdade absoluta.
Amélia de Morais
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PROFECIA
. E arrancam da Terra, a alma destroem seu coração! Não esperem dela, calma não esperem, perdão! Há de vir o castigo brotando do seu umbigo! Hão de receber o troco nascido do ventre oco!