segunda-feira, 11 de junho de 2012


DO FIM AO INÍCIO
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Amou
desesperada e enormemente
como quem dorme em dormentes
sem medos, nem culpas
sem planos ou desculpas
Amou
sincera e simplesmente
como quem sonha somente
sem limites, nem horizontes
sem redes ou pontes
Amou
plena e vivamente
como quem planta semente
sem chuvas, nem benefícios
sem renúncias ou sacrifícios
Amou
do fim até o início.

Amélia de Morais

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domingo, 3 de junho de 2012


VERDADE ABSOLUTA

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Ouça a mensagem
Qualquer que seja
Respire essa aragem
Escute a alma benfazeja
Não há pressa no acreditar
Pense, repense, se ponha a cantar
E acima de tudo, discuta
Não há verdade absoluta.


Amélia de Morais

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PROFECIA


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E arrancam da Terra, a alma
destroem seu coração!
Não esperem dela, calma
não esperem, perdão!
Há de vir o castigo
brotando do seu umbigo!
Hão de receber o troco
nascido do ventre oco!

Amélia de Morais

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DE REPENTE
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E ela pousou
sobre meus versos
linda, leve, lentamente

E ela ancorou
nesse universo
suave, silenciosa, sabiamente

Amélia de Morais

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PEDRA DA CONCEIÇÃO

Subir a pedra,
uma das muitas pedras
da minha infância,
foi como atravessar
a linha do tempo,
foi como achar
o pote de ouro no fim do arco-íris,
foi como trazer o sonho
para a realidade.
Subir a pedra,
cada um dos seus 564 degraus,
foi como subir no pé de feijão
e encontrar a galinha dos ovos de ouro.
Era ouro a paisagem:
de um lado a pequena cidade,
do outro, o verde esperançoso
da natureza.
Subir a pedra
foi fácil, eu tinha asas nos pés.
Descer foi difícil,
partir,
as pernas pesaram.
Deixei lá em cima
a impressão de jamais
ter chegado tão perto
de Deus.

Amélia de Morais

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sexta-feira, 18 de maio de 2012


TEOREMA

Respiro o ar puro da noite
inspiro madrugada
Espirro versos trôpegos e vacilantes
guardados na alma calada
trancados na mente cansada
De onde virá a inspiração?
Coração?
Emoção?
Comoção?
Onde habita o verso do poema?
Seria a poesia um teorema?

Amelia de Morais

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ÁGUAS

Água
viva
água
verde
água
vasta
água
veloz.
Água
vista do céu azul,
vista da terra seca,
dista do mar sem fim.
Água mole
em vida dura
tanto bate
até que abunda.

Amélia de Morais

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