domingo, 3 de junho de 2012


PEDRA DA CONCEIÇÃO

Subir a pedra,
uma das muitas pedras
da minha infância,
foi como atravessar
a linha do tempo,
foi como achar
o pote de ouro no fim do arco-íris,
foi como trazer o sonho
para a realidade.
Subir a pedra,
cada um dos seus 564 degraus,
foi como subir no pé de feijão
e encontrar a galinha dos ovos de ouro.
Era ouro a paisagem:
de um lado a pequena cidade,
do outro, o verde esperançoso
da natureza.
Subir a pedra
foi fácil, eu tinha asas nos pés.
Descer foi difícil,
partir,
as pernas pesaram.
Deixei lá em cima
a impressão de jamais
ter chegado tão perto
de Deus.

Amélia de Morais

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sexta-feira, 18 de maio de 2012


TEOREMA

Respiro o ar puro da noite
inspiro madrugada
Espirro versos trôpegos e vacilantes
guardados na alma calada
trancados na mente cansada
De onde virá a inspiração?
Coração?
Emoção?
Comoção?
Onde habita o verso do poema?
Seria a poesia um teorema?

Amelia de Morais

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ÁGUAS

Água
viva
água
verde
água
vasta
água
veloz.
Água
vista do céu azul,
vista da terra seca,
dista do mar sem fim.
Água mole
em vida dura
tanto bate
até que abunda.

Amélia de Morais

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FOGO FÁTUO

Desista de mim
sou água
que lhe afoga
sou lama
que lhe suja
sou vento
que lhe arrasta
sou silêncio
que lhe ensurdece
Amor não pega em mim
Sou fogo fátuo
que lhe queima
mas, não ardo
Sou fardo!

Amélia de Morais

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CHAMA

Desabou,
caiu
e se enroscou.
O céu da minha boca
tem tantas luzes
quantas têm as noites
estreladas e enluaradas.
O meu sangue,
como um rio,
corre a despeito de tudo.
Corre apesar das minhas dores,
corre apesar das minhas dúvidas,
corre apesar de mim mesma.
Corre pra me manter viva e
as minhas dores e dúvidas.

Amélia de Morais

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