sábado, 7 de janeiro de 2012


ENTRELINHAS

Meu tempo
Todo meu tempo
É uma tatuagem
De corpo inteiro
cuja imagem
São segundos passageiros.

Amélia de Morais

.

EM [Canto]

Me encanta o amarelo da lua cheia
o mar sereno me encanta
me encanta a música que brota da veia
a voz da alma me encanta
Me encanta o riso franco da criança
a inocência me encanta
Me encanta o agitado ar da mudança
a novidade me encanta
Me encanta o silêncio do deserto
a curta poesia me encanta
Me encanta o encontro amigo
o puro sentimento me encanta
Me encanta o pão que nasce do trigo
a fome saciada me encanta
Me encanta a luz de todo dia
o milagre da vida me encanta
Me encanta a mão da companhia
mas a solidão também me encanta.

Amélia de Morais

.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


BORBOLETAS

Todos os dias há borboletas
Sobre as folhas, sobres as flores
Silenciosas transformações completas
A vida se insinuando nos arredores
Aos pouco e profundamente
Até que saia voando, saliente.

É a vida saindo da casca dura
Buscando luz fora da clausura.


Amélia de Morais

.

À FLOR DA ALMA
.
Sou um arrepio
emoção e lágrima
Sou um pouco de frio
um pouco de rima

Vinho na taça
sou um pouco calor
Namoro na praça
sou morrer de amor

Sou Sempre-Viva
um tanto flor e ardência
Sou Locomotiva
fumaça e paciência

Seguir em frente
sou cigana e vontade
Luar crescente
sou beleza e saudade

Amélia de Morais

.


POETAS
.
Seguem coloridos
os carregadores de luz,
levam o arco-íris no peito
e as estrelas nas mãos.
Seus sobrenomes, Poesia.

Amélia de Morais

.

CHUVA DE AMOR
.
Sonho tudo, sempre sonho
mirabolantes sonhos bons
risíveis sonhos medonhos
de todas as cores e tons
São sonhos sonoros, às vezes
ás vezes, sonhos sem som
sonhos que duram meses
sonhos de papel crepom
amassam, mas não perdem a cor
sonhos que apenas a chuva
forte e duradoura, de amor
interrompe e se veste como uma luva.

Amélia de Morais

.

(imagem do blog: http://osquatrocara.blogspot.com/2010/09/3-1-mulheres-da-vida.html
desenho do Jão)


A TAL VIDA FÁCIL

Amor barato
Pelas esquinas
Mal vestido, sem sapato

Amor suado
Pelos becos escuros
Mal feito e mal amado

Amor vendido
Pelas janelas
Gritado e cuspido

Difícil vida fácil do amor
Num abrir e fechar de pernas
O tempo é dele o senhor

Amor estampado em jornais
Nos jovens corpos dourados
Descritos em letras garrafais

Amor vendido
Pelos hotéis
Perfumado e protegido

Fácil vida difícil do amor
Num abrir e fechar de contas
Dorme... sem cobertor


Amélia de Morais


.