domingo, 27 de novembro de 2011


A HISTÓRIA DA VOZ QUE DORMIU

No mágico instante,
eu corri e fiquei,
tive medo e coragem,
tive dor e prazer.
No mágico instante
eu chorei e sorri,
tive ímpeto e timidez,
decolei e aterrissei.
No instante mágico
quando calar é mentir,
eu menti. Mas amei.
E corei.
Mas calei.

Amélia de Morais

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MÃOS DE VELUDO

Dê-nos um sorriso
brilhante,
segue em frente
com firmeza
e humildade.
Vê que há nas pedras
dureza e brilho.

Amélia de Morais

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CANTIGA DE AMOR

Cante pra mim
os doces versos
de amor.
Conte pra mim
seus loucos sonhos
de amor.
Ouça
meu canto,
meu conto.
Me encante
com o verdadeiro
sentido do amor.

Amélia de Morais

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domingo, 13 de novembro de 2011


PRECE

Terra.
Aterrar.
Enterrar.
Aturar
o mau tempo
e rogar pelo bom.
Plantar,
colher,
plantar,
colher...
E rogar para haver o que colher.
Na terra
sonhar...
Primaverão.
primaveras virão.

Amélia de Morais

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INQUIETAÇÃO

Remove
com amor desejo
a terra úmida
dos meus pés.
Não quero ficar plantada
onde não há o brilho do sol.
Leva-me
para o universo
belo e rico
das tuas palavras:
A poesia.
Quero sentar-me tranquila
onde há a ternura
das noites de lua.

Amélia de Morais

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O SAPO

O enorme sapo
que nunca pula
é um bicho esquisito
é um bicho bonito (?)
Traça seus planos
em silêncio
e espera assim
ganhar o céu.
Assim
sem jamais pular!

Amélia de Morais

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Recife

Minha cidade emprestada,
adotada,
minha cidade
recortada,
molhada,
bela.
Antiga e moderna,
misteriosa e aberta,
exposta ao mar,
aos rios.
Minha cidade dos outros.
Cidade onde construí
meus castelos de areia,
alguns derrubados pelo vento
que soprou forte, muito forte.
Sobraram três torres,
muito mais fortes que o vento,
três lindas torres,
todas filhas legítimas
de minha cidade emprestada.

Amélia de Morais

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