terça-feira, 11 de outubro de 2011


OS OLHOS DA MADRUGADA
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Encontrei frente a frente
os olhos da madrugada
naquela curva escura
onde não se via nada

Os olhos negros, brilhantes
cansados de nunca dormir
choravam as águas do mundo
o medo do breve porvir

Sabiam da sina certa
ali à frente orquestrada
eles, tão escuros, sombras
não veriam outra alvorada

A luz que em breve sobreviria
baniria a sombria tristeza
e aos olhos escuros da noite
nem à história pertenceria, era certeza

Amélia de Morais & Anorkinda

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VEM
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Vem
descobre meu abismo
mergulha teu desejo
nas águas dos meus olhos
nas águas rasas dos olhos meus
Vem
recobre o meu leito
embrulha o teu corpo
na pele da minha alma
na pele fina da alma minha
Vem
cobre meu sorriso
debulha teus segredos
no ouvido da minha poesia
no ouvido sensível da poesia nossa

Amélia de Morais


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AREIA
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Meu sonho virou areia,
areia de construir castelos,
areia de vento soprar, levar
Meu sonho sumiu no ar.

E onde o brilho do olhar?
e onde os pés de dançar?
O tempo levou, sumiu no ar.

Amélia de Morais

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011


DA PAIXÃO E DO AMOR
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...porque a paixão
é como a lua
brilha a luz que não é sua

... porque é sol
o verdadeiro amor
concede aos amantes luz e calor

Amélia de Morais

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LOUCURAS
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Nem as Pirâmides do Egito
perdidas no Lago Ness
ou, em noite muito escura
a lua crescente em prece
Nada... nada mudará este frio
que meu corpo não esquece
senão a tua presença
que o teu corpo celeste aquece.

Amélia de Morais

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À LUZ DA LUA
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Minha alma se eleva
meus olhos se fecham
meu corpo é conduzido
meus lábios... silêncio

Seus dedos deslizam suaves
com ternura tamanha
que meus olhos se abrem
e a música no meu corpo se entranha

Amélia de Morais

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MEIA PALAVRA
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Um corte
na tua verve
marcou
meu norte
e sangrou poesia

a metade da palavra
e a meta de escrever
o verso que trava
e crava no papel
a minha sorte de saber ler

Amélia de Morais

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