sexta-feira, 7 de outubro de 2011


À LUZ DA LUA
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Minha alma se eleva
meus olhos se fecham
meu corpo é conduzido
meus lábios... silêncio

Seus dedos deslizam suaves
com ternura tamanha
que meus olhos se abrem
e a música no meu corpo se entranha

Amélia de Morais

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MEIA PALAVRA
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Um corte
na tua verve
marcou
meu norte
e sangrou poesia

a metade da palavra
e a meta de escrever
o verso que trava
e crava no papel
a minha sorte de saber ler

Amélia de Morais

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DESMISTIFICANDO...
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Sabe... não fui feita da sua costela
(embora goste de deitar-me sobre elas),
tão pouco lhe ofereci qualquer maçã
pois, sempre preferi uma romã

Sabe... já vivi no paraíso, é verdade
não tenho culpa que por, digamos, afinidade,
em meio a tantos... Adão, José, Ricardo...
tenha vivido, prazerosamente, em pecado

Sabe... você é forte, capaz... até bonito
mas não é uma invenção ou um mito
é, antes de tudo, minha tentação
é, assim como eu, corpo, mente e coração.

Amélia de Morais

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MIRAGEM
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Era apenas desejo
de beijos,
lampejo na escuridão
As mãos não eram de fato,
eram carinhos
abstratos
E os olhos... então
duas escolhas
uma pro sim
outra pro não

Amélia de Morais

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domingo, 2 de outubro de 2011


UMA SÓ PALAVRA
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Escrevo
estas mal traçadas linhas
em busca de aptidão
Tento buscar nas letras
palavras que finalizem a canção
procuro no dicionário
nos versos de outro poema
tudo em vão
recordo os tempos de missa
dos pedidos em oração:
mais uma só palavra
e a poesia será salva.

Amélia de Morais

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E SEREI POETA
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Dou-lhe
a mais bela das flores
das estrelas, a mais brilhante
o maior prazer do amor
dos sorrisos, o mais puro

Dê-me
tintas de todas as cores
o pensamento viajante
um instante de criador
e o verbo que vira ouro

Amélia de Morais

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TEMPERANÇA
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Um olhar passou e me arrastou
Conheci os mistérios do amar, amando
Entre o frio e o calor

Um vento passou e me levou
conheci os mistérios do ar, voando
entre a saudade e o amor

Amélia de Morais

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