segunda-feira, 26 de setembro de 2011


UM E OUTRO


Somos tantos
mudamos a cada hora
somos santos
com mangas de fora

Não me chames joão
daqui a pouco serei joaquim
triste na aflição
ou zombando da noite sem fim

somos vários
trocando as fantasias
um dia a menos no calendário
um passo a mais na longa travessia

Amélia de Morais

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RECIFE

Recife dos meus amores
Recife água doce e salgada
Recife revela sua dores
na música das batucadas
que passam sobre as pontes
que passam por suas ruas
que abrem os horizontes
nos dias de sol, nas noites de lua
Recife se mostra nua.

Amélia de Morais

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CORAÇÃO

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Meu coração, fértil terra
procria, recria, inventa,
às vezes, silencia, às vezes, berra,
morre, renasce e de novo tenta
se mostra, se entrega
descança e recomeça
às vezes, concorda, às vezes, nega
chora , mas não confessa
gargalha e não faz segredo
que da solidão, sente medo.


Amélia de Morais

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011


O QUE ESPERO DE TI
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O que espero de ti?
um pouco de paciência
gotas de envolvimento
muita, muita querência
versos na madrugada
sentimento e razão
seguir juntos na estrada
sem placas de contramão

Amélia de Morais


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VERSO EM VINHO
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Um verso
esquecido
molhado no vinho
tinto e envelhecido
ressurge agora
novo e oferecido
quebrando o ovo
deixado no ninho.

Amélia de Morais

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Ah, saudades!

Misteriosa e complexa,
vilã e companheira,
a saudade vem anexa
à paixão pura e verdadeira

Também se une ao amor,
assim como à amizade,
machucando como dor
ou consolando, com bondade

Ah, saudade da minha terra,
saudades do meu pai, do meu irmão!
saudade que em si encerra
desterro ou abolição

Amélia de Morais

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ABRIGO
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Pego em tuas mãos
E de repente o medo passa
O tempo para
E a vida ganha novo sentido.

Em teu peito
Encontro abrigo
Em teu regaço
Faço minha morada

Teu sorriso
meu alento
ilumina meu juízo

Teu olhar
meu paraíso
água doce de chorar

Mavie Louzada / Amélia de Morais

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