segunda-feira, 19 de setembro de 2011


FÊNIX

A palavra germina no silêncio
Brota–se em verbos e se espalha
Encanta-se em poesia pelo ar.

Amélia de Morais

.

RECOMEÇO


Um ano
De tantos minutos
Tantos pecados
Tantos enganos
Certos e absolutos
De meses lentos ou agitados
Se foram todos os segundos
Em dias estéreis ou fecundos
E num dia de milagre, primeiro
As horas recomeçam, íntegras
Cheias de promessas
De um mundo muito melhor
Vazias de insanas regras
Até que o dia adormeça
Á espera de um tempo maior.


Amélia de Morais

.



PEQUENA NOTA DE JORNAL

Compro uma felicidade
não importa a cor
não importa a idade

Eu compro uma felicidade
não importa o peso
não importa a nacionalidade

Compro uma felicidade
não importa o tamanho
só não quero viver pela metade.

Amélia de Morais

.



domingo, 18 de setembro de 2011


Silêncio Poético
.
Palavras mudas,
incansavelmente silenciosas,
caladas na boca fechada,
fechadas na boca muda.

shshshshshshshshshshshsh
façam calar o silêncio
desse verso que nada diz,
desta poesia infeliz!

Amélia de Morais

.

ATÉ QUE A CERA DERRETA

Voarei por aí,
sobre mares e rios
sobre praias, fazendas
sobre prédios e casarios
sobre estradas e sendas
Voarei vendo o mundo
seus montes e fendas
o raso e o profundo
Voarei lá no alto
sobre horas, segundos
sobre o teto e o asfalto
Até que a cera derreta
e eu caia no planalto
e, então, seja poeta

Amélia de Morais

.

LUZ ll
.
Tortas estradas feias
empoeiram meu suspiro
e grito o sangue das veias

Sufoco meu desencanto
sobre as pedras do caminho
que secam a dor e o pranto

Unidas, minhas mãos
sem pressa, fazem prece
Luz na escuridão

Amélia de Morais

.

O PRÓXIMO PASSO

Anseio
dormir na lua
e acordar enfeitiçada
andar boba pela rua
imaginando ser amada

Anseio
nas estrelas amar
entre raio e trovão
na madrugada acordar
e reviver a paixão

Anseio
dominar a escuridão
tomar a noite nos braços
e ensinar ao coração
a dança desse noturno compasso

Anseio ser o próximo passo

Amélia de Morais

.