domingo, 18 de setembro de 2011


Silêncio Poético
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Palavras mudas,
incansavelmente silenciosas,
caladas na boca fechada,
fechadas na boca muda.

shshshshshshshshshshshsh
façam calar o silêncio
desse verso que nada diz,
desta poesia infeliz!

Amélia de Morais

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ATÉ QUE A CERA DERRETA

Voarei por aí,
sobre mares e rios
sobre praias, fazendas
sobre prédios e casarios
sobre estradas e sendas
Voarei vendo o mundo
seus montes e fendas
o raso e o profundo
Voarei lá no alto
sobre horas, segundos
sobre o teto e o asfalto
Até que a cera derreta
e eu caia no planalto
e, então, seja poeta

Amélia de Morais

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LUZ ll
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Tortas estradas feias
empoeiram meu suspiro
e grito o sangue das veias

Sufoco meu desencanto
sobre as pedras do caminho
que secam a dor e o pranto

Unidas, minhas mãos
sem pressa, fazem prece
Luz na escuridão

Amélia de Morais

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O PRÓXIMO PASSO

Anseio
dormir na lua
e acordar enfeitiçada
andar boba pela rua
imaginando ser amada

Anseio
nas estrelas amar
entre raio e trovão
na madrugada acordar
e reviver a paixão

Anseio
dominar a escuridão
tomar a noite nos braços
e ensinar ao coração
a dança desse noturno compasso

Anseio ser o próximo passo

Amélia de Morais

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TELA SEM COR

Tela sem cor
Diante de mim
Reclama pelo pincel

Mãos sem vontade
Diante da tela
Reclamam pela inspiração

O mundo girando
Ponteiros andando
O tempo passando

E a tela vazia

Amélia de Morais

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A GÔNDOLA DA VENEZA BRASILEIRA
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E lá vai ela
paciente
catando a sujeira do rio

e lá vai ela
ciosa e silente
observando o casario

E lá vai ela
transparente
vencendo o desafio

E lá vai ela
consciente
deixando o Capibaribe sadio

Amélia de Morais

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011


PALAVRA

O som
do verso escrito
é música em todo universo
melodia em forma de grito
ou sussurro de modo diverso
é tom
que harmoniza o conflito
ou afina o reverso

Amélia de Morais

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