quarta-feira, 17 de agosto de 2011


COMPLETAMENTE
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Existe o aqui e o agora
que me preenchem o dia
se estou dentro ou fora
o fato é que sou energia
que gira em torno da vida
em torno do tempo e espaço
às vezes um tanto atrevida
às vezes sutil como um traço
que risco em qualquer papel
em linhas de pura emoção
também posso ser um pincel
pintando poesia no chão
e sonho ser letra e canção.

Amélia de Morais

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MAS, NÃO ME ESQUEÇAS

Te dou uma
ou até mesmo as duas
borboletas (de papel colorido)
que tenho no meu quarto.
Te dou flores
(da minha fantasia de carnaval)
que trago na gaveta.
Te dou pássaros
todos eles (meus desenhos)
que guardo há tanto.
Te dou colares
(de conchas que colhi nas praias)
que estão ainda por fazer.
Te dou anéis dourados
(dos meus encaracolados cabelos)
para que ponhas nos dedos,
na alma,
no pensamento
e nunca te esqueças de mim.

Amélia de Morais

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RAQUEL
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Mãe,
o meu Bem, onde está?
Meu Bem está muito longe, mãe?
Ele demora de chegar?
Mãe,
eu quero um Bem
bem bonito,
quero um Bem
bem feliz,
quero um Bem
para sempre,
quero um Bem
pro infinito.
Mas se ele não está aqui, mãe,
por onde meu Bem andará?

Amélia de Morais

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011


SAUDADES DANÇANTES

A dança me transbordava
Me derramava em gestos
Me espalhava sem protestos
A dança me transformava

A dança me conduzia
Traduzia meu pensamento
Renascia em movimento
A dança me refazia

A dança me encantava
À música me entregava
Do mundo eu esquecia
A dança era estrela-guia


Amélia de Morais

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CUMPLICIDADE

Abraço consola
Isola a solidão
Abraço encolhe, enrola
Aquece o coração
No braço amigo
O abraço é abrigo
Em silêncio, o abraço é doce canção
No braço do amor
O abraço é calor
Em silêncio, o abraço é paixão
No gesto que envolve
O abraço entrega
E, ao mesmo tempo, devolve
No gesto que acolhe
O abraço é carinho
Que se dá e não se escolhe
Abraço liberta
Dores, aflição, saudade
Abraço é compreensão
Laço forte – cumplicidade

Amélia de Morais

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011


POR VIA DAS DÚVIDAS...
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Nas trevas não há luz
é só dor e escuridão
e um frio nos conduz
pelas brasas sobre o chão

Não há luz nas trevas
nem há paz, nem alegria
a inquietude é que nos leva
nos arrasta a agonia

Nas trevas, luz não há
o silêncio é um ruído
espalhado pelo ar
como um grito longo e sofrido

Luz? Nas trevas não há, não
o sangue gela, a alma cala
a angústia na palma da mão
o corpo chora e o rancor se instala

Pé de pato, mangalô três vezes
uma ave-maria, dez Pai Nosso
Oxalá, me guarde... epá babá
Afasta de mim, esse cálice, pai!

Eu ando com um patuá.

Amélia de Morais

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PARA ONDE?

Ê, vida, para onde vai?
Eu viro à direita
e entro, você sai
ô, vida, me dá a receita!

Eu subo e desço
retorno e retomo
eu rezo um terço
eu bebo, eu como

Ah, vida, pra onde vou?
a estrada bifurca
quem sou?

Sou anjo de burca
sem asas, nem documento
é tudo tão lento!

Ih, vida, me deixa,
segue sua sina!
Agora sou gueixa!
O tempo me ensina.

Amélia de Morais

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