sábado, 6 de agosto de 2011


MOINHOS
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Eu vi
a roda girando
gerando energia
roubando água
jorrando alegria
Eu li
moinhos de vida
gigantes quixotes
virando monstros
gerando sabedoria

Amélia de Morais

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011


CORPO DE DANÇA

Meu mundo
de cores e giros
Universo
De saltos e brilhos
É o corpo das minhas
Escolhas
Cabeça dos meus prazeres
Eu danço com alma inteira

Amélia de Morais

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INSENSÍVEL CORAÇÃO

Insensível coração
corta meu peito
arde em meu corpo
deixa-me um tanto sem jeito

Insensível coração
descontrolada batucada
soando tão alto
deixa-me nervosa e suada

Insensível coração
sem medo de mais uma dor
explode nos olhos
os sonhos de um novo amor

Amélia de Morais

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MARIONETES DO TEMPO
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E o tempo toma nas mãos
as horas, suas marionetes
lhes dá andamento tão lento
em solo de clarinete.

E revoltados, os minutos
se apressam em passos largos
moderados, bem pensados
espanta pra longe o enfado

Sem sequer pedir licença,
voam no tempo, ligeiros
que mesmos sem ser os primeiros
os segundos tocam um frevo.

E o tempo, a sorrir
daquele prazeroso motim
desperta o sol nas manhãs
e a lua, quando a tarde chega ao fim.

Amélia de Morais

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O VENTO SOPROU...
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O tempo trouxe essa voz
doce e rouca
no vento que sopra pra nós
em vezes raras, poucas

Soprou um cheiro jasmim
que trago guardado em mim

Soprou um canto suave
guardado a sete chaves

Soprou um cálido gesto
que me sobrou de resto

Soprou um suspiro profundo
Colhido em instante de segundo

Soprou finalmente seu nome
que na memória surge e some
...surge e some...surge e some...

Amélia de Morais

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QUE FAÇO AQUI?

Que faço eu aqui,
sentada ao léu,
escrevendo no papel
sem uma luz que me responda?

Quem me vai responder
e me tirar da escuridão?
Acender-me a vela
ou dar-me uma explicação?

A quem devo perguntar?
às arvores que ali me olham,
aos pássaros que aqui me ouvem,
ao vento a me arrepiar?

De onde veio tudo,
que brota mudo?
Serei uma louca
de fé tão pouca?

Amélia de Morais

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domingo, 31 de julho de 2011

(Erica Chappuis)

SEM MÁGOAS

Sinto suas mãos macias
sobre mim, ai de mim
Derramando carícias sem fim
desaguando seus ardores, clamores
E eu esqueço a realidade
aqueço a saudade

Vem, me faça feliz!
Sou oceano sem mágoas
Derrama sobre mim sua águas
arranca de mim a poesia que não fiz
e que tudo, tudo diz


Amélia de Morais
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