Silencie o verbo Adormeça a voz no momento soberbo quando o falar é algoz A natureza em movimento guarda o silêncio no ar se quer falar, sopra o vento traz tempestade se quer gritar
Amélia de Morais
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AM[ASSANDO] PALAVRAS
Amassando palavras criei verbos, formei frases Assei-as nas brasas da memória Comi-as. Falei poesias.
ESPERO UMA CHANCE . Escrevo assim pequeno porque meu canto é miúdo porque meu verso é terreno ainda de pesquisa e estudo.
Escrevo com timidez com letra redonda e bordada esperando chegar minha vez de ser lida e colada nas pérolas dos pequenos poetas fazer parte daquela grande seleta.
Amélia de Morais
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PEQUENA PAUSA . Uma pausa pra reflexão uns minutos apenas de mãos dadas com a solidão companheira de quarentenas penso, repenso, dispenso qualquer comentário quero estar comigo um pouco trancada no meu armário cujos ouvidos são moucos Silêncio de portas, janelas silêncio de camas, cadeiras silêncio de muita cautela silêncio na minha cegueira Ver meu mundo sem tramelas correndo solto pelas ladeiras
- Dêem-me apenas uns poucos minutos, ... depois eu saio e lhes escuto.
Amélia de Morais
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Lição
Por que a espada não cruzou o peito da solidão e não transformou em pó o fundamento da desilusão?
Por que um raio não derrubou o pilar da incompreensão e não afrouxou o nó da agonia e desesperação?
Terá sido... quem sabe... por respeitar a solidão companheira de última hora que por vezes me consola o coração?
ou ainda... não sei... para me dar uma lição e ensinar que os nós, todos a gente desfaz com as próprias mãos?
Sigo andando, a caminho da redenção.
Anorkinda e Amélia de Morais
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NÓS
Quero laços e abraços amplexos sem nexos unir-me aos nós poque somos vós para o universo que nos espia de longe sorrindo da nossa poesia me sinto segura sabendo ser só uma invenção fantasia
Amélia de Morais
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(Trish-Biddle-Reflections)
DOCE ACOLHIDA . Mas que me importa o mundo lá fora se ao seu lado tenho a chance de estar
Não fecho portas, não vou embora, nem fico calado. Eu deixo meu corpo cantar.
Minha água, sua saliva, minha dança forte e viva, a maçã no chão, esquecida.