terça-feira, 19 de julho de 2011


ME CHAMA

A chama
fugaz
da estrela
me chama
me pisca
me flerta
clama
pelo eterno
escuro da noite
para brilhar
e sedutora
se esconde
onde...onde?

Me chama
estrela
carrega
meu olhar
até a esquina
da clara manhã-menina
estrela, estrela matutina.

Amélia de Morais

.

LIBERDADES

Livre
o espaço espalha
embaralha
seu corpo
no mar

Livre
a onda rola
embola
seu corpo
na areia

Livre
o tempo agrupa
ocupa
seu corpo
com o vento

Amélia de Morais

.

ALMA FEMININA

Caem flores do céu
como chuva de tempestade
E o mundo é um ramalhete
com grandes laços de amizade

Brotam flores do céu na Terra
como fontes de água cristalina
E o mundo é um só jardim
de alma leve e feminina

Amélia de Morais

.

E NA PROSA?

Na prosa
não há verso meu
não verso prosa
Não sei prosear
não aprendi a falar
receosa
prefiro, então, me calar

Amélia de Morais

.

RECORDAÇÃO

Cuidadosamente guardada no peito
minha saudade é companheira
na solidão hospedeira.

Ela afaga cada lembrança
cada lampejo de recordação
gerada numa aflição

E como remédio infalível
a saudade que sinto agora
é dor que logo vai embora.

Amélia de Morais

.

sexta-feira, 15 de julho de 2011


ROMÃ
.
Ontem nasci flor,
amarela,
tão bela!

Hoje, ao meu redor
e sobre mim,
uma chuva sem fim
faz meu verso bem maior!

Amanhã,
ao pôr do sol
serei, quem sabe, maçã
cheirosa,
deliciosa...
ou, quem sabe, uma romã...

Amélia de Morais

.
(dancarina-gino-severini-1915)


O VENTO ESTÁ SOPRANDO

O vento sopra e me diz
Que tudo que está por aí
São restos de um dia feliz

Que os olhos tristes que vejo
Brilharam nos olhos do amado
Que um dia trocaram beijos

O vento sopra pra mim
Que já houve muito espaço
Que os homens trocavam abraços

Que a bola enferrujada no chão
Hoje enfeite de praça
Eram balas de algo chamado canhão

O vento sopra contando
Que é preciso que eu cante
E conquiste o mundo dançando

Viver daqui pra diante
Limpando a água dos males
Lavando os olhos da vida
Plantando as flores nos vales
Curando no homem a ferida
Causada por seu semelhante

E o vento sopra constante...

Amélia de Morais

.