quinta-feira, 7 de julho de 2011


IRREVELÁVEL SEGREDO
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És um irrevelável segredo,
um verso preso na garganta,
um vôo guardado no ninho.

És a palavra pelo avesso,
a concha no fundo do mar,
o mistério de um novo caminho.

És o silêncio das estrelas
e, ao mesmo tempo,
o estonteante brilho delas.

És a emoção silente
presente no arrepio
da pele invisível da alma.

Amélia de Morais

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SAMBA TRISTE

Saudade
Que aperta o peito
Desmancha os meus pensamentos
Como o vento,
Vadio, errante, faceiro
Levanta as pétalas das flores
Que dormem ao relento
E traz a música pulsante
No samba nascido
da minha dor

Amélia de Morais

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De Perda e Esperança

E foi quando se desfez o encanto,
Que minha poesia partiu.
Era feita de pranto e canto,
De luz e escuridão.
Era a dor que não se cansava,
Alegria que nunca findava,
Inspiração, emoção...

Em conversas com a lua,
Namorando as estrelas,
Brincando na madrugada,
Com a alma iluminada,
Tão somente pela ilusão,
Que se desfez, virou pó.
Agora fico a olhar a imensidão,
Na solidão, vivo só...

Meus olhos - vazio infinito,
a voz guardada na lua.
A minha poesia nua,
despida de encantamento,
hoje trago escondida
debaixo da pele fina
da palma da minha mão.

E basta um corte de leve,
sutil sentimento de estima,
pra que a palavra breve,
mas plena de poesia,
retorne ao berço de luz
e eu volte a cantar a lua,
e eu volte a lançar na rua
os versos de alegria.

Jane Moreira e Amélia de Moraes

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NA MÃO

O verso
É pássaro pousado na mão
Apenas no breve instante
Da tinta pintando a tela.
Depois voa
Ganhando o espaço da declamação
Na boca do leitor,
O silêncio do ouvinte
No livro na estante.
Aos poucos revela
A alma de todo poeta
Às vezes em entrelinhas discretas.

Amélia de Morais

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