segunda-feira, 13 de junho de 2011



TUDO RECOMEÇA

É o vento que passa
arrastando os lençóis
leva o braço que abraça
leva o canto dos rouxinóis

Breve instante - palavra calada
a pausa que tudo diz
o beijo roubado da amada
o vento risca em cicatriz

Leva o silêncio e o beijo
deixa a palavra no verso
a saudade esconde o desejo
na poesia o sonho disperso

E amanhã, antes que os sinos dobrem
o vento que ontem levou
traz de longe lençóis que cobrem
e braços macios de um novo amor


Amélia de Morais

sábado, 11 de junho de 2011




A MULHER AMADA

Sou então sua eterna namorada
aquela dos sonhos dourados
aquela dos versos encantados
sou então sua mulher amada

Abro as portas dos sonhos meus
salto dos versos da minha poesia
sou a real visão de uma fantasia
fazendo a alegria dos olhos seus


Amélia de Morais

VERMELHO ALVORECER
.
Vejo flores e borboletas
em você, branca mulher
abro os olhos violetas
sobre um vermelho alvorecer

Vejo poesia no ar
Vejo você respirar
prender o silêncio no peito
sorrir um riso satisfeito

Penso em você do seu jeito.

Amélia de Morais

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ENTRE SONHOS E DESEJOS
.
Entre sonhos
e bocejos
um medo
e um desejo
morrer
e viver no mar
Acordar bem cedo
ao nascer do sol
ver a água brilhar

Entre desejos
e suspiros
um sonho
e um delírio
voar
e cair do ar
Ver o mundo do alto
do tamanho dos olhos
e o vento a me soprar

Amélia de Morais

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ATÉ SEGUNDA!
.
Até segunda, meu caro!
O sábado foi perfeito,
domingo dormirei mais um pouco.

Não bata à porta, portanto,
não chame ao telefone.
Domingo é dia santo.
Santo descanso de tudo.

Até segunda, meu caro.
Cuidado ao dobrar a esquina,
a vida dorme ao volante.

Amélia de Morais

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DIREITO À LUZ

No escuro,
Reconheço o caminho
Da volta,
Da estrada
Que me leva de volta
Pra mim mesma,
Que me traz o sorriso de volta
E que volta e meia,
Me revela o segredo
Que eu mesma
Transformei em felicidade.
O sagrado direito de ter a luz.

Amélia de Morais

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POEIRA
.
Pó na ladeira
espalhando o vermelho
levando a terra pra longe
manchando todo o espelho
sujando a roupa do monge
Pó - Poeira
trazida na sola do pé
marcando passos na estrada
revelando segredo ao pajé
velando os olhos da amada

Amélia de Morais

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