domingo, 5 de junho de 2011



AS LUTAS QUE NÃO LUTEI

Sou paz
por essência
sou paz
Escrevo
com tinta invisível
o triste sangue da guerra

Entrego-me
no entanto
de corpo e alma, completa
às causas
das injustiças
que com meu silêncio causei


Amélia de Morais



FANTASMAS DO PASSADO

Roubaram meu presente
não vislumbro meu futuro
meu passado está ausente
são fantasmas no escuro
Taeio, em vão, as paredes
busco escutar outras vozes
ando tanto, caio em redes
bebo as dores em doses
Clamo, chamo pela vida
vida, vida, louca...louca
às vezes nos dá ouvidos
às vezes, se faz de mouca
Sinto o hálito do passado
distante, ausente, mudo
soprando destino, fado
jogando com a sorte de tudo

São fantasmas brincando. Ludo.


Amélia de Morais



NEM SEMPRE

Às vezes, caracol
às vezes, vitória-régia
às vezes, dia de sol
às vezes, sò estratégia
Às vezes, canção
às vezes, verso perdido
às vezes, coração
às vezes, desejo atendido
Às vezes, riso
às vezes, melancolia
às vezes, improviso
às vezes, apologia
Às vezes, sonho
às vezes, vida
às vezes, susto medonho
às vezes, sambar na avenida
Às vezes, silêncio profundo
às vezes, apogeu
às vezes, todo o mundo
às vezes, o mundo só meu

Amélia de Morais



O VENTO

Sopra no ouvido
palavras, as mais gentis
palavras, as mais suaves
em versos que não duvido
sáo carinhos primaveris
canções que portas nos abrem
O vento, fiel amigo
o vento, consolo certo
o vento me sopra e eu sigo
feliz, prudente e liberto

Amélia de Morais

Borboleta em flor



sábado, 4 de junho de 2011



ONDE MORA A POESIA

Nos olhos do poeta
Mora o tempo
Tempo de sonhar
Tempo de ser feliz

E o poeta sonha
De olhos abertos
Atento às palavras
Atento a si mesmo

Nas mãos do poeta
Mora a poesia
Derrama vida
Gota a gota
Verso a verso
Transborda lucidez

Amélia de Morais


DA BANDA PODRE
.
É tudo da banda podre,
água suja no odre,
no cacho, banana podre,
arma presa no coldre,
no cesto, laranja podre.
E tudo fingindo ser nobre!

Até que a folha desdobre!

Amélia de Morais