Sou paz por essência sou paz Escrevo com tinta invisível o triste sangue da guerra
Entrego-me no entanto de corpo e alma, completa às causas das injustiças que com meu silêncio causei
Amélia de Morais
FANTASMAS DO PASSADO
Roubaram meu presente não vislumbro meu futuro meu passado está ausente são fantasmas no escuro Taeio, em vão, as paredes busco escutar outras vozes ando tanto, caio em redes bebo as dores em doses Clamo, chamo pela vida vida, vida, louca...louca às vezes nos dá ouvidos às vezes, se faz de mouca Sinto o hálito do passado distante, ausente, mudo soprando destino, fado jogando com a sorte de tudo
São fantasmas brincando. Ludo.
Amélia de Morais
NEM SEMPRE
Às vezes, caracol às vezes, vitória-régia às vezes, dia de sol às vezes, sò estratégia Às vezes, canção às vezes, verso perdido às vezes, coração às vezes, desejo atendido Às vezes, riso às vezes, melancolia às vezes, improviso às vezes, apologia Às vezes, sonho às vezes, vida às vezes, susto medonho às vezes, sambar na avenida Às vezes, silêncio profundo às vezes, apogeu às vezes, todo o mundo às vezes, o mundo só meu
Amélia de Morais
O VENTO
Sopra no ouvido palavras, as mais gentis palavras, as mais suaves em versos que não duvido sáo carinhos primaveris canções que portas nos abrem O vento, fiel amigo o vento, consolo certo o vento me sopra e eu sigo feliz, prudente e liberto
Nos olhos do poeta Mora o tempo Tempo de sonhar Tempo de ser feliz
E o poeta sonha De olhos abertos Atento às palavras Atento a si mesmo
Nas mãos do poeta Mora a poesia Derrama vida Gota a gota Verso a verso Transborda lucidez
Amélia de Morais
DA BANDA PODRE . É tudo da banda podre, água suja no odre, no cacho, banana podre, arma presa no coldre, no cesto, laranja podre. E tudo fingindo ser nobre!