domingo, 29 de maio de 2011

(pássaro contemplativo autor: José Carlos Rodrigues)

VOZ DA NATUREZA

A chuva canta
As ondas fazem coro
Mas o homem não ouve
O pássaro canta
O vento faz coro
Mas o homem não entende
O homem sente
Percebe o misterioso som da natureza
E com ele se encanta
Se enternece
Se alegra
Ou se entristece.

Amélia de Morais
.


SENSAÇÕES

Voei pelos pensamentos
vestida de lua cheia
iluminando o outro lado
da frase feita
Desfiz-me em sensações
tantas e únicas
Refiz os versos da madrugada
nascidos de tudo, criados do nada
Amélia de Morais



DES[ILUSÃO]

Vivemos uma ilusão
o chão que agora piso
é feito de algodão
e me pareceu tão seguro!
É tudo um sonho de alguém
que pode acordar de repente
e num estalar de dedos
meu corpo é de ninguém
Simplesmente fantasia
bordada com muito luxo
em tecido fino e transparente
que rasga a qualquer instante
Papel repleto de poesia
escrita em letras douradas
jogado na água de um rio
desmanchando nossa palavra

Amélia de Morais


INSANA DANÇA

Dançava sobre o vento
a alma nos pés
Os olhos do dia espiavam
a boca da noite sorria
Dançava sobre o sol
os gestos no coração
Os olhos dos homens zombavam
daquilo que não entendiam
Loucos homens esquecidos
de como é doce sonhar

Amélia de Morais



FIO DA POESIA

No silêncio da madrugada
guardado no escuro da noite,
perdido no claro do dia,
ecoa nas páginas do livro
a canção livre e vadia
das belas letras bordadas
com o forte fio da poesia

Amélia de Morais



RAIO DE LUZ

Por amar
tanto e desmedidamente
entreguei
de mão beijada
meus versos
- poesia de vida -
ao raio de luz fulgente
nascido do meu ventre.

Amélia de Morais



NAS DOBRAS DO PENSAMENTO

Olhei assim
de soslaio
um pouco
pra dentro de mim
e vi a dor
entre as dobras
do meu pensamento
escondida
no desmaio
fingido e medroso
dos meus sentimentos

Amélia de Morais