A prata da casa brilha suavemente sem palavras de casaca brilha humildemente Discorre com sutileza Descreve com alguma beleza e, às vezes, com certa dureza É o exercício da paixão do verbo pela ilusão
Amélia de Morais
VERSO VERDADEIRO
Ainda que implacável e verdadeiro queria encontrar entre os dedos a poesia triste que traduzisse minha alma nos versos rudes que metem medo.
Amélia de Morais
INSPIRAÇÃO II
No silêncio da palavra nasceu minha poesia Naquele breve instante entre ouvir e calar E a mão, atenta escreveu o verso
Amélia de Morais
CANÇÃO AFINADA
Me vale a voz afinada nos momentos de puro amor Derramo então os meus versos entoados em melodias Declamo, clamo, amo na voz muda do olhar toda a paixão do momento que dura um tempo qualquer o tempo exato entre o primeiro e o último acorde até que o sonho me acorde
Amélia de Morais
PRAZO DE VENCIMENTO
Venci os muros que me escondiam, os moinhos que me espalhavam, o silêncio que me queimava. Venci a distância que me afastava, a tempestade que me impedia, a certeza que me corrompia. Venci o medo que me interrompia, a saudade que me amolava, as cordas que me amarravam. Sou eu os olhos meus Sem prazo de vencimento.
Amélia de Morais
A SOLIDÃO
A solidão me dá a fantasia me dá a canção (ainda que triste) me dá a poesia (que pequena, resiste) me completa me joga na escuridão ao mesmo tempo que me faz poeta
Amélia de Morais
ATIRANDO PEDRAS NO RIO
Sem hora pra nada sem medo do tempo sem rugas ou rusgas sem musgos pedra limpa atirada na água saltitando na superfície brilhante e lisa Minha mão atira a pedra e acena em adeus sem esperas sem esperanças mudanças acontecem um passo outro espaço Sem hora pra nada