sexta-feira, 27 de maio de 2011



ARREPIOS

Tenho arrepios na alma
quando ouço a loa
da lua nascendo no mar
E não abro mão
dessa pele sensível
que cobre meu coração
e me torna possível
sobre todas as coisas versar

Amélia de Morais



CRÉDITO

Mereço
tuas orações
nas contas do terço

Valho
aqueles versos
no tronco do carvalho

Sou digno
dos sortilégios
que descreves no signo

Sou credor
dos carinhos nas pontas
dos dedos do amor


Amélia de Morais
(O Homem que veio do Sol, de Fábio Balen)

SEM SORRISO

As ruas abandonadas
o sol se pondo
eu e minha sombra
morrendo

Segurei o sol
com a mão
na esperança
de queimar a solidão

Queimei
meu sorriso

Hoje estou só
e triste


Amélia de Morais


IR E VOLTAR

Traço
a linha do tempo
Faço
minha própria história

Destaco
andanças ao vento
Atraco
o barco da memória

Venço
o medo da idade
Pertenço
a mim mesma agora

Publico
o livro da minha verdade
Versifico
a toda e qualquer hora

Parto
realizada e atrevida
Descarto
nos meus olhos, a tristeza

Finalizo
a poesia da vida
sinalizo
renascer na certeza


Amélia de Morais


RASGUEI

Faltou inspiração
rasguei o verbo
naõ faço canção

Meu lápis não escreve
não tenho papel
perdi minha verve

Tranquei a gaveta
joguei fora a chave
não sou mais poeta


Amélia de Morais


ESQUECI

Esqueci seu sorriso
nas minhas lágrimas

Esqueci sua voz
no tamanho da minha dor

Esqueci os seus gestos
na amargura da solidão

Esqueci os seus passos
no vazio da minha estrada

esqueci o seu poema
sobre o banco do jardim

esqueci...
assim... deixei ali ... e saí


Amélia de Morais


ANDO E PROCURO

Um cais iluminado
ponto de encontro
de sonhos atracados

Um braço de mar
repleto de histórias
de ler e contar

Um porto seguro
varadouro de encantos
eu ando e procuro.


Amélia de Morais