terça-feira, 10 de maio de 2011


PEDIDO

Espero,
com os olhos
sempre na estrada,
que um dia você volte.

Passa o sol,
passa a lua,
passa a chuva
e a ventania.

Mas, por favor, não demora
que um dia a vida passa
e a tristeza me leva embora.


Amélia de Morais




UM NOVO DIA

O dia nasceu brilhante
promessa de sol e lua
fazendo brotar no homem
o eu feliz e migrante
a alma serena e nua
as saudades que nele dormem
e as vontades emergentes
da busca eterna e infinda
pela vida-estrela cadente
diferente e surpreendente
que pulsa dentro da gente

Amélia de Morais

.


AURORA

Vamos brincar de roda?
eu giro pro lado de dentro
você, pro lado de fora
canta e gira a vida toda
a gente se encontra no centro
você, senhor, eu, senhora
e assim senta e se acomoda
e bem ali, no epicentro
assiste a nossa aurora
enquanto a chuva não chora

Amélia de Morais



RODAS

A vida é roda gigante
e vive num vai e volta
eu, então, vivo livre, solta
num indo e vindo constante

Eu vou catando a minha sorte
e volto contando a minha história
não falo, nem penso na morte
que é outra roda, a da memória

Morro um pouco sempre que esqueço.


Amélia de Morais




OS VERSOS

Os versos
são nômades, ciganos,
visitam almas inquietas,
plantando-lhes verbos soberanos,
palavras secretas.
Apresentam-lhe o oceano,
a lua, o céu, a vida toda, completa
os versos são estafetas,
os versos são arcanos
que nos revelam poetas

Amélia de Morais

.

segunda-feira, 9 de maio de 2011



BANDEIRA, MINHA BANDEIRA

Bandeira branca,
me entrego aos versos teus.
Minha alma é aberta e franca.

Receba os carinhos meus,
na forma desta canção
nascida do coração.

És meu emblema,
estrela tatuada no peito,
brilhante como um poema.

Teus livros na mãos estreito,
presentes na vida inteira.
És minha estação primeira.

Se o silêncio dorme contigo, Bandeira
tua poesia é faladeira.


Amélia de Morais


O PREÇO DA ESCOLHA

Pago caro por ser artista
não tenho férias, nem salário,
não tenho emprego, sou diarista.

Pago o preço da passagem,
o preço do ensaio, eu pago,
pago o preço da sabotagem
da arte que faço e propago.

Não escolhi a facilidade
do verso que nada diz,
não escolhi a fraglidade
do sucesso riscado a giz.

Sou dança de passo forte
e canto com voz de povo,
cultura de um Brasil de norte.
Sem mágoas, faria tudo de novo.

Pago caro por ser artista,
mas trago a realização nas mãos
e um sonho sempre à vista.


Amélia de Morais