sexta-feira, 6 de maio de 2011




TELA SEM COR

Tela sem cor
Diante de mim
Reclama pelo pincel

Mãos sem vontade
Diante da tela
Reclamam pela inspiração

O mundo girando
Ponteiros andando
O tempo passando

E a tela vazia


Amélia de Morais


ESTRADA

Cabelo ao vento
velocidade total
a vida passando veloz
uma curva
duas
três
e de repente anoiteceu
o que era doce
se acabou
ou não...não sei...
só vim aqui lhes dizer...

Amélia de Morais


VERSO EM VINHO

Um verso
esquecido
molhado no vinho
tinto e envelhecido
ressurge agora
novo e oferecido
quebrando o ovo
deixado no ninho

Amélia de Morais




ONDE?

Onde estás?
Em que país,
em que galáxia?
Em que momento,
em que instante?
Em qual oração,
ou só falácia?
Em que sorriso,
em que semblante?
Em que sonho
em que fantasia?
Em que sabor
em que aroma?
Em que hora
da noite ou do dia?
Em que raiz
em que rizoma?
Onde estás
que não encontro?
Nas veias da imaginação
ou nas ruas da escuridão?

Amélia de Morais


AH, SAUDADES!!

Misteriosa e complexa,
vilã e companheira,
a saudade vem anexa
à paixão pura e verdadeira

Também se une ao amor,
assim como à amizade,
machucando como dor
ou consolando, com bondade

Ah, saudade da minha terra!
Saudades do meu pai, do meu irmão!
Saudade que em si encerra
desterro ou abolição


Amélia de Morais


TEMPERANÇA

Um olhar passou e me arrastou
Conheci os mistérios do amar, amando
entre o frio e o calor

Um vento passou e me levou
Conheci os mistérios do ar, voando
entre a saudade e o amor


Amélia de Morais



PELE CLARA

Pele clara
da clara manhã
da nova manhã
pele lisa aveludada
as horas pra ela
não pesam
mas há de chegar a tarde
e com ela
a pele manchada
as rugas
no canto da boca
que então, não canta mais
sem tempo pra nada
as horas passam velozes
e a noite
pele enrugada
contará histórias
de pêssegos
colhidos na clara manhã
de pele clara

Amélia de Morais